
Único "quadrinho" vencedor do Hugo Award -prestigiado prêmio da fantasia e ficção- e a aparecer na lista dos 100 melhores romances da história, publicada pelo "The New York Times", a graphic novel Watchmen, que tem adaptação para o cinema já com data prevista (março de 2009), coleciona desde sua estréia uma longa lista de glórias. Lançada pela DC Comics entre os anos de 1986 e 1987 em doze edições mensais, a obra foi grande responsável (junto aos trabalhos de Frank Miller e Neil Gaiman) pela atração do público adulto para o mundo dos quadrinhos.
Idealizada pelo aclamado escritor Alan Moore ("V de Vingança", "Do Inferno", "A Liga Extraordinária") e ilustrada por Dave Gibbons (conhecido até então pelas ilustrações de "Lanterna Verde") a trama busca mostrar um lado mais obscuro e menos glorioso dos heróis.
Passada nos Estados Unidos dos anos 80, a história tem como pano de fundo uma Guerra Fria muito mais delicada do que a real e com o clima de insegurança ainda maior por parte da população. A aventura começa quando Rorschach -um justiceiro mascarado clandestino- começa as investigações do assassinato de um ex-mascarado. Desconfiado de uma conspiração contra antigos justiceiros, o personagem começa a revirar o passado de outros vigilantes, agora aposentados e longe do passado de combate ao crime.
Watchmen deve seu sucesso a diversos fatores além dos tradicionais cuidados com ilustração clara e roteiro trabalhado. A obra recebeu cuidado muito especial em relação a construção psicológica dos heróis. Aliado à ausência -quase total- de cenas de violência (muito comuns a outros títulos adultos) e de super-poderes, tal cuidado fez com que Watchmen rompesse todos os limites e lugares comuns do gênero para se tornar uma obra poderosa, que avalia os seres humanos e sua necessidade histórica por heróis anônimos e arbitrários.
Segundo parecer da DC Comics, Watchmen é atualmente o quadrinho de maior sucesso em vendas, lucrando alto até hoje, graças ao grande sucesso entre leitores mais maduros e principalmente entre os que nunca tiveram contato com quadrinhos, pois a história poderia muito bem ter se tornado filme, série de TV ou livro.
Por acaso virou quadrinho e não por acaso virou um clássico.

